
O Farol
(The Lighthouse)109 min / Horror, Drama,Fantasia / 2019
Roteiro: Robert Eggers, Max Eggers
Direção: Robert Eggers
Depois de um debute primoroso com A Bruxa, Robert Eggers volta com um novo folk tale inesquecível, daqueles de arrepiar a espinha só pela sua estética fantasmagórica do fim do Sec. 19.
Ephraim Winslow e Thomas Wake são responsáveis por cuidar de um farol numa remota ilha por 4 semanas. Aos poucos entre bebedeiras, brigas e terríveis tempestades, os dois começam a enlouquecer e não assimilar mais realidade de fantasia.
Robert Eggers é um cara carregado de referências, desde as mais obvias como Edgard Allan Poe e Lovecraft, como as mais rebuscadas como Santo Erasmo e Hans Andersen e seus contos dinamarqueses sobre sereias. Alem das referências cinematográficas, hora evocando Kubrick, hora evocando Hitchcock, e até Bergman. Tudo costurado de uma maneira original, e muito autoral. Com 2 filmes já da pra identificar assinaturas claras do diretor.
Toda estética do filme é minimamente pensada para nos enviar direto a 1880, e realmente, ha essa imersão, seja pela razão de aspecto 4:3, seja pela fotografia Preto e Branco com um uso de tons que evoca alguns filmes do expressionismo alemão, seja pelo o uso de câmeras antigas que realmente trazem retratos e planos absolutamente fantásticos.
As atuações aqui presentes são impressionantes. Robert Pattinson traz um personagem amargurado, carregado de rancor, que faz um trabalho pesado, praticamente escravo, De modo que a câmera transforma crível a mudança e a loucura que toma conta do personagem aos poucos durante o filme. Já Dafoe é um velho lobo do mar, seu personagem é um retrato fiel do capitão Ahab do clássico Moby Dick, um ser abjeto, manco, e controlador, sempre com seus contos/frases de marinheiro/maldições. Um trabalho realmente difícil de dicção onde Dafoe se esconde completamente dentro do personagem.
A trilha se faz presente com temas bem incômodos abraçando o som diegético, hora do Farol (que realmente me amedronta), hora das garças, que se fazem presente o tempo inteiro, e uma em especial sendo o Black Philip da vez.
O filme usa metáforas poderosas sobre mitologia grega e mitologia Romana, para explicar um final bem impressionante e visceral, debaixo de um texto q expõe a veia teatral do diretor e seu co roteirista (e irmão) Max Eggers. Também existe um subtexto de homo afetividade inserido de maneira bem sutil depois das bebedeiras, isso dentro de um farol, um objeto fálico, que pode ser metaforicamente ligado a masculinidade (frágil) se cruzado com essa relação.
Com todos os méritos possíveis, O Farol já nasce um clássico, e consolida um Diretor que ao que tudo indica, veio pra ficar. Vale o Ingresso!
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