terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Joias Brutas


Joias Brutas

(Uncut Gems)


145 min / Drama Thriller / 2019 

Roteiro: Ronald Bronstein, Josh Safdie, Benny Safdie


Direção: Josh e Benny Safadie






Ah, o Streaming! A comodidade de ver o filme sentado no sofá de sua casa e pausar o filme pra ir pro banheiro e fazer um lanche quantas vezes for necessário. Bom não é? Mas, e quando sai um filme que seria fundamental a experiencia de ver no cinema? fica aí o questionamento...


Joias Brutas é sobre Howard (Sandler), um Joalheiro que está sempre enrolado com suas dividas, e aqui e acolá faz seus diversos esquemas e trambiques. Ele recebe uma "joia" que impressiona um famoso jogador de basquete e a partir daí o filme se desenrola.

Logo de inicio é complicado entender qual é a do filme. Sua narrativa é completamente pautada numa construção de entender quem é o Howard, feito isso, ele engrena, engrena legal, cria tensão e urgência constante com o personagem, mesmo reprovando os seus atos (que em sua maioria são bem escrotos mesmo), teme se a todo instante o que pode acontecer a ele. O modo como os Irmãos Safdie filmam também contribui para a tensão constante, câmera na mão, tremida, com plano fechado, criando uma sensação incomoda e claustrofóbica a todo momento.

A trilha, também ajuda a pontuar momentos interessantes, quando ele recebe a joia, por exemplo tem um fundo quase mistico tocando, enquanto Howard admira em êxtase a sua beleza. Ou mais la no fim fazendo um crescendo a tensão.

E o Adam Sandler? Bem, continua sendo Adam Sandler, só que com um texto excelente. Sinceramente, atuação dele é pedestre, com as gracinhas e bobeiras características como xingamentos gritos e a cara de paspalho, como qualquer outro de seus filmes. A diferença é que sua inserção ajuda na historia a ser contada, completamente orgânico dentro do universo do filme, e ao que ele se propõe.

Joias Brutas é mais uma perola na filmografia dos Safadie, que também conta com o ótimo "Bom Comportamento". Talvez se não fosse chancelado e distribuído pela netflix, teria chances mais amplas no circuito de premiações, o meu chateamento é só de não ter visto no cinema, o choque com certeza teria sido maior! 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O Farol


O Farol

(The Lighthouse)


109 min / Horror, Drama,Fantasia / 2019

Roteiro: Robert Eggers, Max Eggers


Direção: Robert Eggers







Depois de um debute primoroso com A Bruxa, Robert Eggers volta com um novo folk tale inesquecível, daqueles de arrepiar a espinha só pela sua estética fantasmagórica do fim do Sec. 19.

Ephraim Winslow e Thomas Wake são responsáveis por cuidar de um farol numa remota ilha por 4 semanas. Aos poucos entre bebedeiras, brigas e terríveis tempestades, os dois começam a enlouquecer e não assimilar mais realidade de fantasia.

Robert Eggers é um cara carregado de referências, desde as mais obvias como Edgard Allan Poe e Lovecraft, como as mais rebuscadas como Santo Erasmo e Hans Andersen e seus contos dinamarqueses sobre sereias. Alem das referências cinematográficas, hora evocando Kubrick, hora evocando Hitchcock, e até Bergman. Tudo costurado de uma maneira original, e muito autoral. Com 2 filmes já da pra identificar assinaturas claras do diretor.

Toda estética do filme é minimamente pensada para nos enviar direto a 1880, e realmente, ha essa imersão, seja pela razão de aspecto 4:3, seja pela fotografia Preto e Branco com um uso de tons que evoca alguns filmes do expressionismo alemão, seja pelo o uso de câmeras antigas que realmente trazem retratos e planos absolutamente fantásticos.

As atuações aqui presentes são impressionantes. Robert Pattinson traz um personagem amargurado, carregado de rancor, que faz um trabalho pesado, praticamente escravo, De modo que a câmera transforma crível a mudança e a loucura que toma conta do personagem aos poucos durante o filme. Já Dafoe é um velho lobo do mar, seu personagem é um retrato fiel do capitão Ahab do clássico Moby Dick, um ser abjeto, manco, e controlador, sempre com seus contos/frases de marinheiro/maldições. Um trabalho realmente difícil de dicção onde Dafoe se esconde completamente dentro do personagem.

A trilha se faz presente com temas bem incômodos abraçando o som diegético, hora do Farol (que realmente me amedronta), hora das garças, que se fazem presente o tempo inteiro, e uma em especial sendo o Black Philip da vez.

O filme usa metáforas poderosas sobre mitologia grega e mitologia Romana, para explicar um final bem impressionante e visceral, debaixo de um texto q expõe a veia teatral do diretor e seu co roteirista (e irmão) Max Eggers. Também existe um subtexto de homo afetividade inserido de maneira bem sutil depois das bebedeiras, isso dentro de um farol, um objeto fálico, que pode ser metaforicamente ligado a masculinidade (frágil) se cruzado com essa relação. 

Com todos os méritos possíveis, O Farol já nasce um clássico, e consolida um Diretor que ao que tudo indica, veio pra ficar. Vale o Ingresso!

domingo, 10 de setembro de 2017


It: A Coisa 

(IT)

2:15 / Horror, Drama / 2017 / EUA


Roteiro: Chase Plamer, Carey Fukunaga, Gary Dauberman


Direção: Andy Muschietti







Assistir algo que nos remete a mais pura nostalgia mexe com qualquer sentimento daqueles q ja estão na casa dos 30. No já longínquo 2011, JJ Abrams fez a sua jura de amor a Amblin, e tirou "Super 8" do papel, e mais recentemente os "Duffers Brothers" fizeram uma ótima salada de frutas de Stephen King e John Carpenter, e deram vida a Stranger Things.

É nesse panorama, que um dos maiores influenciadores de Stranger Things ganha vida. It, traz esse frescor de nostalgia, com todos os bons elementos que um dia fizeram da Amblin gigantesca, a amizade entre jovens deslocados, ao entorno do sobrenatural.

A cada 27 anos, o palhaço dançarino Pennywise aterroriza a Cidade de Derry, e através das investigações do "clube dos losers", descobre se a verdadeira face do palhaço macabro. Logo de cara, o filme desperta com uma cena tensa, sombria, e de certa forma corajosa, ao se diferenciar bastante do telefilme dos anos 90. E marca uma coisa, recorrente em varias partes, como o uso das sombras mostrando apenas pedaços do Palhaço, criando um clima de tensão, e mostrando que Bill Skarsgard ta muito bem no papel.

Se por um lado as cenas que escondem parcialmente o rosto do Pennywise funcionam muito bem, não se pode dizer o mesmo das cenas que o palhaço aparece por inteiro, as CGs (computação gráfica), transformam aquela maquiagem q era em tese assustadora, em algo fora do normal, falso, coisa que ainda sim no telefilme de 90, tinha mais corpo, mais presença, e era mais amedrontador. Outra coisa que me incomodou é a repetição das cenas do palhaço avançando na tela como um louco. Uma vez é bacana, mas varias vezes, acaba se tornando um artificio repetitivo e sem criatividade.

O desenvolvimento do Clube dos losers é perfeito. Tem todas as identificações possíveis que um dia uma criança já passou ( no meu caso, me identifico com o personagem Ben), é muito fácil qualquer um se identificar e comprar a ideia do grupo, ainda mais com o devido desenvolvimento de cada um dos personagens dentre eles.

O roteiro é dinâmico, ágil, e mesmo com o filme tendo mais de duas horas, a passagem é rápida e precisa. O horror faz uma presença grandiosa, o clima de tensão se faz constante, mas sem JumpScarys inoportunos. Há toda uma construção para sentir medo olhando para o monstro. Há também elementos que tornam o filme leve e muito bem humorado, de forma despretensiosa e elegante sem uma forçação de barra desnecessária.

It, traz tudo que um bom filme de horror deve ter, e traz aquele brilho no olhar nostálgico, fazendo o mais duro coração, ceder por pelo menos duas horas, e lembrar com carinho dos Clássicos da sessão da tarde, como: ET, Fica Comigo, Evil Dead e A Hora do Espanto. Vale o Ingresso!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016


The Fundaments of Caring
1h 37min | Drama/comedia | 2016 | EUA

Roteiro: Rob Burnett
Direção: Rob Burnett






Conteúdo original Netflix vem se tornando cada vez mais uma agradável surpresa. De três anos pra cá, a Netflix tem acertado em cheio nas suas produções, e agora, passou a acertar, não só em series, mas em longas também, vide os ótimos "Beasts of No Nation" e "Ele Esta de volta"

A bola da vez (que já esta no catalogo a alguns meses e só vi ontem), é " The Fundamentals of Caring", Filme dirigido e escrito por Rob Burnett, baseado na obra literária "The Revised Fundamentals of Caregiving" escrito por Jonathan Evison, e tem Paul Rudd, Craig Roberts e Selena Gomes no elenco. Basicamente a historia gira em torno de Ben, um ex escritor, que agora encontra seu caminho como cuidador de deficientes físicos, e tem como primeiro cliente, Trevor, um jovem que sofre de distrofia muscular.

A apresentação e o desenvolvimento de Trevor e Ben, é extremamente eficaz. No primeiro ato já se tem estabelecido as trocas de farpas, a importacia de Trevor para Ben, e as piadas acidas com tom sarcástico que percorrem por toda trama. Tudo isso agregado a ótima química entre a dupla de protagonistas e o inegável carisma de Paul Rudd.

A construção de Road Movie no segundo ato, também é perfeita, da o tom de liberdade que ambos personagens precisavam e Burnett contempla todo o clima de viagem e paisagem na estrada, com belos planos aéreos, pontuados com uma trilha bem familiar, puxada para o "folk"

Burnett também escolhe por inflar o roteiro com mais duas personagens. Uma delas, um clichê, que de certa forma funciona (curti sim a Selena no filme, pronto falei). E uma personagem que sinceramente não faria falta nenhuma, e que está lá só para dar uma "redenção" ao Ben, que também é ridícula e não funciona.

A atuação na parte dramática do filme é um desastre, salvo o Craig Roberts, que consegue passar muito bem para o espectador o drama de sua doença, tanto emocionalmente quanto corporalmente. Já o Paul Rudd, deveria ser um homem destruído pelo o que lhe aconteceu, e em momento nenhum ele passa essa sensação, ele passa o filme todo com sua cara de "Buddy Guy", e nas horas que se precisa do peso dramático, o contraponto é horrível e completamente desfuncional.

No fim das contas, The Fundamentals of Caring é um filme bem aproveitável, que escorrega aqui e ali, mas tem em si uma mensagem de respeito mutuo, amor ao próximo, e um otimismo que esta bem em falta nos dias de hoje